As palavras não conseguem dizer,
não há como descrever,
é uma dor tão profunda na alma,
que tudo silencia, como se um buraco se abrisse na minha alma,
uma dor que rasga, que dilacera, que deixa um vazio,
que não se deixa consolar.
Eu sempre chorava acompanhando as tragédias lá longe,
como se estivessem aqui comigo, no meu coração.
Quantas lágrimas derramei pela Ucrânia, por Gaza…
E agora é diferente.
Agora é aqui, aqui onde nasci, onde cresci, onde vivi,
onde me tornei a pessoa que sou hoje,
minha raiz, minha terra, minha cidade, meu mundo,
agora é aqui que dói, tudo está dilacerado.
É tudo à minha volta, tudo, tudo…
Tudo dói, mas tem uma dor diferente quando é na gente,
quando é na minha rua, no meu prédio,
na casa da minha cunhada, que é como minha irmã,
tudo invadido pelas águas…
agora é aqui pertinho, agora é em mim também…
Tudo dói,
dói tanto que eu nem conseguia chorar,
só agora me deixei parar, aquietar, sentir
e chorar, chorar, chorar…
Tudo à minha volta dói,
tudo dilacerado, destruído,
nada será igual, tudo mudou,
Porto Alegre nunca mais será como antes,
ela agora é cidade triste, cidade ferida,
cidade mergulhada em lágrimas, em dor, em gritos,
gritos de socorro,
botes aonde deveriam andar carros,
caos, medo, e dor…
Quero apenas chorar abraçada no meu filho,
que está longe, mas perto…
Quero apenas chorar no colo da Mãe Querida,
no coração do meu Jesus, meu Deus e meu tudo,
quero apenas me aquietar e entregar minha dor
ao coração de Deus.
Que Ele tenha piedade de nós,
que Ele volte sua face para nós
e nos ajude a entender tudo isso…
Socorrei-nos, Senhor, sem demora!
Fica conosco, Senhor, nesta noite escura,
ilumina nossos passos,
só em ti, Senhor, está nossa Paz.