O Silêncio da Palavra

Desde muito pequena,
eu amava as palavras,
eu adorava ler.

Na adolescência,
eu devorava livros,
deslumbrada com o universo da literatura.
Eu amava a poesia,
escrevia poemas
e achava que tinha muito talento com as palavras!

À medida em que fui amadurecendo,
e conhecendo o mundo, o sofrimento e a vida,
as palavras me frustravam.
Elas não conseguiam mais dizer,
não conseguiam mais expressar o mistério,
o insondável, o impenetrável no abismo da minha alma.

Eu calei a poesia,
e me metamorfoseei em cientista.
Eu comecei a buscar a palavra exata, precisa,
o conceito definido,
a clareza do raciocínio.
E sufoquei o Mistério que clamava em mim por resposta.

Após quarenta anos atravessando esse deserto de poesia,
eu encontrei, finalmente, a Palavra!
Maravilhada, encantada, apaixonada,
eu comecei então a derramar palavras em profusão,
em torrentes de versos, poemas e meditações…
eu precisava expressar em palavras humanas as minhas experiências
do encontro com a Palavra,
da escuta de Deus em mim!

Assim, eu escrevi, escrevi, escrevi…
Páginas e páginas e páginas…

Hoje, então, eu percebo que minha alma está silenciosa,
quieta, como um lago sem ondas
que, sereno, espelha a imagem do céu..

Agora minha alma quer falar através do silêncio
da minha própria vida.
Eu quero anunciar o Evangelho com a minha vida inteira,
com o silêncio orante do escondimento,
na solidão do deserto.

Minha poesia é agora minha vida,
meu testemunho é meu silêncio,
meu anúncio é minha oração.

Não sou mais eu quem vivo,
é a Palavra que vive em mim.

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