Caminho de conversão

É necessário que ele cresça e eu diminua. (Jo 3, 30)

O caminho para Deus
é um caminho para baixo e para dentro,
não é um caminho para fora e para o alto…

Já desde pequena, eu queria ser a melhor…
Eu queria ser a melhor aluna, a melhor filha…
Eu buscava ser a primeira, tirar as melhores notas na escola…
Adolescente, eu competia com o meu irmão, secretamente, para ter um boletim com melhores notas que o dele…
Então, adulta, na vida profissional, eu queria o topo,
ser estimada, valorizada, aplaudida…
Eu buscava fazer a melhor pesquisa, publicar o melhor artigo,
ser reconhecida como um grande talento,
sobressair, brilhar…

E quando eu cheguei no topo,
eu vi que não era feliz,
que ali não estava a fonte da vida,
que ali era tudo ilusão, névoa, vento,
nada daquilo tinha substância e me preenchia.

Então larguei tudo e comecei a empreender o caminho de Deus,
o caminho para baixo e para dentro,
o esvaziar-se…

Caminho de conversão,
duro e árduo,
incessante, constante…

Foi fácil me desapegar das coisas materiais,
dos bens, dos títulos…
A pobreza material é leve, alegre…
O desapego dos desejos e prazeres terrenos é libertador…
Mas um apego resiste em mim,
é meu combate constante, sem trégua:
o meu ego…

No escondimento da vida de oração,
no silêncio e na solidão,
ainda aqui, o demônio rodeia a me tentar,
o meu próprio ego insaciável
quer ser atendido, adorado.

Lá no fundo,
resiste em mim o desejo de querer ser vista,
admirada, aplaudida!
Deus me prova com a sua graça,
para que eu permaneça escondida,
que eu me humilhe,
para que somente Ele seja exaltado.

Que eu diminua, sempre,
para que Cristo cresça em mim,
plenamente!

Imagem: Van Gogh – Man Praying

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