“Existem dois caminhos…”

Dos Diários do Mosteiro – 10 de setembro de 2016.

Esta é a primeira página do meu diário, foi esse o texto com que eu comecei a escrevê-lo.

Foi esse o momento em que tive a clareza e a certeza de que Deus estava me chamando para a vida monástica. Foi o momento em que disse ‘sim’ em meu coração, e entendi que precisava escrever sobre o que significava essa resposta. 

Este foi o momento em que compreendi claramente que meu velho ‘eu’ havia morrido e que este era definitivamente um ‘caminho sem volta’…

Relendo, agora, este texto, observo os paralelos com o Salmo 1 e com o início do Didaquê, que também se referem à existência de dois caminhos… Interessante que meu diário tenha se iniciado, sem que eu o soubesse, como o início do Saltério e do Didaquê…  Essa observação me dá coragem e humildade para compartilhar este texto, me mostrando que, apesar dele ser extremamente pessoal, é também, e por isto mesmo, universal…

Observo também que a conexão entre as frases no texto não é óbvia, não é explícita. Eu não desenvolvo o meu raciocínio de maneira que o leitor possa me seguir e acompanhar a lógica subjacente.  Penso que este texto é como o nado de uma baleia no oceano: após longos períodos submersa, ela vem rapidamente à superfície para respirar e logo retorna às profundezas do mar. Cada frase neste texto é como uma subida à superfície para respirar.  Em poucas palavras, condenso a essência da experiência vivida nas águas profundas do mar do Espírito. Entre uma frase e outra, há uma longa imersão nas águas do Espírito.  Sem a compreensão desta conexão profunda, mas invisível, entre as sentenças, o texto talvez pareça desconexo, enigmático ou fragmentado?


Só existem duas opções: ou Deus existe, ou Deus não existe.

Se Deus existe, então Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Verbo encarnado.

Se Jesus Cristo é o Filho do Deus Vivo, a face visível do Pai, então eu quero segui-lo. Eu quero perder a mim mesma, me esvaziar totalmente, morrer para o mundo, para recebê-lo plenamente em meu coração.

Quero me fazer serva, renunciar à minha liberdade, para servi-lo incondicionalmente, em completa obediência.

Que no meu coração haja apenas e tão somente o amor a Deus e nada mais. Que meu coração seja um coração orante, sempre, a todo instante. Que meu coração seja puro do pecado para acolher o amor de Deus em sua plenitude.

Preciso da vida contemplativa, da separação do mundo, do silêncio e da solidão para esvaziar meu coração dos pensamentos impuros e preenchê-lo com ação de graças, com louvor e adoração ao Senhor da Vida.

A outra opção seria: Deus não existe e tudo o que eu penso e sinto é ilusão, auto-engano, delírio. Se Deus não existe, então o universo foi criado pelo acaso, não existe vida espiritual, apenas átomos e partículas subatômicas agindo cegamente e aleatoriamente, de acordo com leis aleatórias.

Mas essa opção é totalmente absurda, é mais irracional do que a aparente irracionalidade da fé.

Meu coração precisa escolher o que é real, o que é verdadeiro: o mundo material, o mundo visível e o conhecimento das ciências dos homens ou o mundo da consciência, as verdades reveladas pelo coração, a sabedoria espiritual que é revelada pela fé.

Ciência ou coração? Mundo natural ou sobrenatural? Sentidos ou fé? Conhecimento pelos sentidos ou pela fé? Conhecimento dos homens ou revelação pelo Santo Espírito, revelação da fé? Razão ou Evangelho?

Por 51 anos, vivi no mundo das ilusões e, após conhecer a verdade revelada pela fé, tenho a certeza inabalável da voz de Deus que escuto em meu coração: Deus é Pai, é o Criador amoroso, compassivo e misericordioso. Jesus Cristo é Deus que se fez homem, que se fez visível, que se fez servo.

E Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Por isso, não sou eu mais quem vive, mas é Cristo que vive em mim.

Elizabeth Schmitt Freire está morta para o mundo.

Quem vive agora é Cristo, ele é o Senhor do meu coração e da minha vida.

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