Ó Divina noite! Mãe de todas as vigílias!
Ó meu Bom Deus, ajudai-me a colocar em palavras humanas tudo o que aconteceu no meu coração nesta Santa Noite! Como poderei, Senhor, narrar, descrever, relatar? Como encontrar palavras humanas para dizer o inefável, invisível, transcendente? Socorrei-me, Senhor! Ajudai-me, Senhor! Preciso falar, preciso escrever, mesmo que não saiba como! É tão maior que eu, tão maravilhoso e sublime, que preciso pronunciar, testemunhar, anunciar!
Ali, na penumbra da Catedral, à meia-luz, escutávamos vossa Palavra. Ali estávamos reunidos, à espera, confiantes e atentos. E escutávamos a história da nossa Salvação. Solenemente, a Palavra era anunciada; reverentemente, era cantada… Então eu vi, não com meus olhos de carne, não vi como imagem sensível, mas eu vi a chuva que se derramava sobre todos nós… Aquela chuva que tudo banhava, tudo irrigava, aquela chuva mansa, suave, estávamos mergulhados na Palavra, ela descia do Alto sobre nós… Meu coração exultava, e eu me lembrei das palavras de são Pedro: É tão bom estarmos aqui!! Eu queria ficar ali para sempre, naquela escuta, me banhando nessa água que caía do céu… Vamos armar uma tenda, eu pensei… Eu ficaria ali para sempre, para que aquela escuta jamais terminasse… Então, quando eu estava assim inebriada, em êxtase, vendo esta chuva se derramar sobre nós, a profecia de Isaías foi proclamada:
Como a chuva e a neve descem do céu
e para lá não voltam mais,
mas vêm irrigar e fecundar a terra,
e fazê-la germinar e dar semente,
para o plantio e para a alimentação,
assim a palavra que sair de minha boca:
não voltará para mim vazia;
antes, realizará tudo que for de minha vontade
e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la.
Ó meu Deus! Quanta alegria que eu senti! Sim, a Palavra não volta vazia, ela está produzindo seus frutos de vida eterna!
Então, após as leituras do Antigo Testamento, começamos a entoar o Glória e todas as luzes da Catedral se acenderam, soaram todos os sinos, e as velas do altar foram acesas! Cristo Ressuscitou!! O Aleluia Pascal ressoava com todo esplendor pela Catedral, o canto jubilante explodia do meu peito, minha alma dilatada pela alegria do Ressuscitado! ALELUIA! ALELUIA! ALELUIA! Meu coração explodia, a alegria não cabia mais em mim, tudo transbordava de alegria! CRISTO VIVE! ELE RESSUSCITOU!
Eu chorava e ria, chorava de alegria, cantava de alegria, o sorriso estendido na minha face, eu olhava para o Alto e o Céu estava na terra e a terra estava no Céu!
E sempre, à minha frente, eu contemplava a imagem da Mãe de Deus, com Jesus Menino nos seus braços, ali na parede atrás do altar, sobre o Sacrário. A Mãe de Deus… Eu estava na sua casa… Eu estava em casa… Eu sentia que a Catedral é agora minha casa… Eu escutava, numa voz sem palavras, no silêncio e na alegria do meu coração, a Mãe me chamando para estar ali, na sua casa… E ali estava também o meu pastor, Dom Jaime Cardeal Spengler, presidindo a celebração, ungido por Deus, iluminado, em estado de graça… Eu estava em casa, Dom Jaime é meu pastor, meu pai… Estou em boas e santas mãos, Deus cuida de mim, nada me falta… a Igreja, dom maravilhoso de Deus, é minha casa, minha mãe…
Ó noite santa, noite esplendorosa, noite divina, noite iluminada! Tudo em mim se iluminou, a alegria do Céu me inebriou, jamais esquecerei!
Então, nessa manhã do Domingo da Páscoa, quando fazia minha oração pessoal, recordando e contemplando no meu coração tudo o que eu tinha vivido nesta noite santa, subitamente eu compreendi: Cristo é a Palavra, a chuva que caía do Alto, a Palavra que descia sobre nós, era Cristo mesmo! Era Jesus Cristo, a Palavra eterna do Pai, Ele que vive, o Ressuscitado! A chuva que se derramava sobre nós era o próprio Cristo! Aleluia! Aleluia!