Igreja de Francisco

10 de setembro de 2017.

Oração que escrevi após participar do I Simpósio Internacional sobre a Eclesiologia do Papa Francisco, quando ficou claro para mim que Deus me enviava de volta ao mundo após o meu período de aprendizado e preparação espiritual no “deserto” monástico.

 

No começo, eu buscava o esvaziamento do meu coração.
Eu buscava um coração puro, limpo do pecado.
Entrando no mosteiro, eu pensava que poderia esvaziar meu coração do pecado pela oração contínua e pelo aniquilamento do eu.
Eu queria esvaziar meu coração para Deus entrar.
Eu queria silenciar meu coração para escutar a Deus.
Eu queria me aniquilar, dar a minha vida em martírio para me unir a Deus.
Eu queria morrer para viver em Cristo e com Cristo.
Mas, agora, algo mudou.
Não é mais esvaziar o meu coração que busco.
Agora eu quero enchê-lo de amor ao outro, de amor ao meu irmão.
Quero encontrar Cristo no meu irmão.
Quero escutar a Palavra de Deus no mundo.
Quero sair de mim no encontro de Deus no outro, na alteridade, no mundo.
Deus que fala no mundo, pelas pessoas no mundo.
Deus que age na história,
nos acontecimentos do mundo.

Tenho que sair de mim,
me dar, me doar ao outro.
Deus não está no vazio do meu coração,
mas Ele está no movimento de sair de mim,
de me doar, de me dar,
de buscar o Outro,
de amar o Outro,
Deus é amor.

Orar pelo mundo e ir ao encontro do Outro,
caminhar,
ir em missão.

O Senhor me envia em missão
para caminhar ao encontro do outro que sofre,
e evangelizar
e curar as feridas da alma
e consolar
e ajudar a carregar a cruz do outro.

Sair de mim,
da autoreferencialidade,
me descentrar,
orar a caminho,
ir orando ao encontro do outro.

A oração não é movimento apenas da mente ou do sentimento.
A oração é movimento de todo o ser.
Que minha vida seja uma oração,
uma doação ao próximo,
um movimento de saída.

Orar plenamente
é buscar Deus no outro
ao invés de buscá-lo dentro de mim,
em meu pensamento.

Deus se autocomunica,
Deus se revela,
Deus fala
através do Outro.
Na Encarnação,
Deus se faz “o outro”,
alteridade.

O corpo de Cristo
é o pão que se reparte,
o pão compartilhado,
o pão que se multiplica para saciar os famintos.
O corpo de Cristo
não é hóstia individual,
mas é ceia compartilhada.

Que eu suba à montanha para orar,
mas desça à praia
para alimentar as multidões.
Chegou a hora de descer da montanha,
sair do deserto
e ir ao mundo em missão,
enviada pelo Espírito
que faz morada em mim.
Sair do cenáculo,
após meu pentecostes.
Ir pregar e anunciar o Reino de Deus,
sair do meu centro
e evangelizar com alegria.

Amar como São Francisco,
ser a Igreja de Francisco
em saída para as periferias sociais e existenciais.
Ser hospital de campanha,
ser Igreja peregrina.

Sair de mim,
me doar,
amar a Deus
que se revela no outro,
no próximo,
no meu irmão.

Que o Espírito Santo
me guie,
me conduza
e faça de mim
seu instrumento
para gerar os frutos do Reino
para a glória de Deus
e salvação do mundo.

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