Onde está o meu tesouro?

O Reino de Deus é um paradoxo enquanto vivemos aqui na terra,
no reino dos seres humanos,
no reino das coisas, dos objetos,
dos desejos,
do medo e da morte.

Para vivermos o Reino de Deus aqui neste mundo,
entre as pessoas,
é preciso se esvaziar.
Quanto mais nos esvaziamos, mais nos tornamos plenos do Reino,
mais vivemos o Reino em nós,
e mais trazemos o Reino para o meio de nós,
mais construímos o Reino entre nós.

Esvaziar-se é a chave que abre a porta do coração,
esvaziar-se é sair de si
em direção ao outro,
ao necessitado, ao diferente, ao aflito,
ao enfermo, ao perdido,
ao prisioneiro, ao cativo.

Esvaziar-se é desapegar-se de si mesmo.
É mais fácil se desapegar dos objetos materiais
do que se desapegar do próprio eu,
dos desejos, dos medos,
da necessidade de ser o centro,
de estar no centro,
de receber ao invés de dar.

Esvaziar-se é a expressão concreta do amor,
é nada querer
por saber que Deus tudo provê,
é abrir mão do controle das coisas externas
e das pessoas
e se entregar ao controle de Deus,
é obedecer inteiramente aos planos do Alto,
aos desígnios do amor e da misericórdia de Deus
e ao seu plano de salvação,
ao seu projeto
para nossas vidas.

Mas o mundo
nos condiciona,
nos impulsiona,
ao contrário,
a enchermos nosso ser
com coisas, bens,
desejos, medos,
ruídos, preocupações,
ruminações…

Então, quando vamos orar,
esquecemos de nos esvaziar
e repetimos os ruídos,
os sons, as palavras automáticas,
mecânicas e sem vida,
sem significado,
porque nossos corações continuam cheios
de coisas, bens,
desejos, medos,
ruídos, preocupações,
ruminações…

Mas orar é desapegar,
é se esvaziar,
é silenciar para escutar Deus,
é se entregar,
é se abandonar confiantemente
ao abraço amoroso de Deus.

É dizer sim
ao projeto de Deus em nossas vidas,
é parar de resistir,
é obedecer com alegria,
é se desapegar
do “eu quero”, “eu tenho”,
“eu posso”, “eu sei”,
“eu sou”…

e encontrar fora de mim
o outro,
que é a face de Cristo no mundo,
atender ao outro
que não tem, não pode, não sabe
e confirmá-lo como irmão,
como filho do nosso Pai.

Esvaziar-se é amar,
é encontrar Deus
em quem está ao meu lado…

Assim, vazia,
minha alma se torna plena de Deus,
meu coração se dilata ao infinito
e compreendo
que não sou mais eu quem vive,
mas é Cristo quem vive em mim.

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