“Bem-aventurada aquela que acreditou…”

23 de julho de 2020

Esta minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus que me amou e por mim se entregou (Gl 2,20).

Na missa de domingo passado, durante a consagração, um pensamento iluminou minha alma, como se fosse atravessada por um facho de luz. Um pensamento claro, nítido, como uma espada afiada cortando a realidade visível dos sentidos. Cristo estava realmente ali, oferecendo seu corpo e seu sangue para nós. Éramos realmente importantes para Ele, cada um de nós ali presente naquela celebração eucarística, éramos infinitamente valiosos e amados por Cristo, por isso Ele vinha até nós. Para a realidade visível, éramos apenas poeira cósmica, seres insignificantes e infinitesimais diante da imensidão do universo, apenas , sopro de vento. Um nada diante da vastidão inconcebível do tempo e do espaço. No entanto, para Deus, éramos tão importantes, tão amados, tão valiosos, que Ele se voltava para nós e nos olhava da eternidade. Do Alto, sentado à direita do Pai, Cristo vinha até nós e, através da pessoa do sacerdote, proferia sua Palavra, no Espírito, e nos oferecia seu corpo e seu sangue como penhores da vida eterna.

Deus fixa o número de todas as estrelas e chama a cada uma por seu nome (Sl 146,4). Cada um de nós é como uma estrela que Deus conhece e chama por seu nome. Para o mundo visível somos um nada, acidente passageiro, pó insignificante do cosmos. Para o olhar de Deus, no entanto, cada um de nós tem valor infinito. Na vastidão do cosmos, somos nada, mas, para Deus, somos parte da sua herança, somos destinados a participar da sua vida divina, somos seus filhos adotados em Cristo. Por isso, durante a missa, a cidade celeste descia até nós; por isso, todos os santos e anjos do céu vinham celebrar conosco na insignificância de nossas vidas, de nossa igreja, de nossa singela celebração eucarística. Na nossa pequenez, no nosso nada, Cristo vinha ser tudo para nós.

Ao longo da semana, em momentos de oração, o Espírito veio em meu auxílio ampliando este entendimento. Ele me mostrou como a dúvida diante das verdades da fé é sussurrada em nossos corações pela serpente, da mesma forma como fizera com Eva no jardim do Éden. Satanás semeou no coração de Eva a desconfiança em relação à bondade de Deus. A serpente mentiu para Eva e ela acreditou na sua mentira, duvidando que Deus quisesse somente o seu bem. Assim acontece conosco também quando duvidamos da bondade de Deus. Escutamos o Maligno quando duvidamos que Deus tenha nos criado por amor, e desconfiamos da sua infinita bondade e misericórdia para conosco. Fé é graça. Eva foi criada em estado de graça, mas ela a perdeu porque duvidou.  Por isso, Deus quis fazer novas todas as coisas e, com Maria, deu início a uma nova criação. E Maria, a nova Eva, acreditou. Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido o que o Senhor lhe prometeu (Lc 1,45).

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