O primeiro Tríduo Pascal a gente nunca esquece…

O meu primeiro Tríduo Pascal foi em 2016, em Juiz de Fora. Na Quaresma daquele ano, eu havia retornado à Igreja Católica depois de ter me afastado ainda criança, com doze anos de idade. Tudo era novo para mim, eu não sabia o que esperar, e tudo me surpreendeu e me emocionou! Nunca esquecerei a experiência que tive na Sexta-feira Santa quando cheguei na igreja. Estava tudo vazio, a igreja estava nua, tudo havia sido levado, o altar estava sem a toalha, não havia nenhum ornamento, nenhuma flor, nada. Fui então à capela lateral para rezar diante do Sacrário e ele estava vazio! A porta estava aberta e Jesus não estava mais lá! Meu coração sentiu uma angústia, uma dor terrível: ‘onde está Jesus? Para onde o levaram?’. Compreendi, então, que esta era a dor que os discípulos de Jesus sentiram quando Ele foi crucificado e morto. Aquele vazio, aquela ausência, aquela tristeza infinita.

No dia seguinte, na Vigília Pascal, meu coração se exaltou na Celebração da Luz, quando a luz do Círio Pascal foi se espalhando, se multiplicando de mão em mão, de vela em vela e, o que era uma luz só, tornou-se uma multidão de luzes e a catedral inteira, que estava na escuridão, se iluminou! E a Luz era Cristo mesmo! Que alegria que senti! Tudo foi uma surpresa, tudo me encantava!

No meu segundo Tríduo Pascal, em 2017, eu já estava dentro da clausura do Mosteiro da Santa Cruz. Como esquecer? A liturgia solene dos Beneditinos, tão linda, sóbria e majestosa! Lembro que chorei aos soluços na celebração da Sexta-feira Santa quando o sacerdote e todos os quatro acólitos (vestidos de preto) entraram em silêncio e se prostraram no chão diante do altar. Levei um susto, eu não esperava este gesto! Naquele momento minha alma sentiu a dor lancinante do Cristo morto, o peso da sua ausência.

Para a Vigília Pascal, tínhamos um livrinho com todas as leituras para meditarmos com antecedência e nos prepararmos bem. Meu coração transbordava com a profundidade e largueza daquela Palavra. Eu não sabia como conseguiria ler, meditar e rezar tudo, era tudo grande demais! Uma imensidão de beleza, de verdade revelada, de sentidos que pela primeira vez eu encontrava, e minha alma devorava a Palavra com sede, com fome de Deus!

Então, naquele ano, pela primeira vez, eu participei bem de perto de toda a Celebração da Luz. Os amigos do Mosteiro haviam feito uma imensa fogueira do lado de fora da capela. Ali, diante do fogo, escutei o sacerdote abençoar o fogo novo e acender o Círio Pascal. Que oração maravilhosa! Minha alma se extasiava na maravilhosa beleza daquele gesto litúrgico e daquela Palavra!

No ano seguinte, em 2018, eu estava em Fortaleza, numa comunidade de periferia vinculada ao movimento carismático, e as músicas nas celebrações eram tocadas com guitarra, baixo e bateria! Na Vigília Pascal, eu não consegui ficar dentro da igreja porque o volume era alto demais e me doía os ouvidos! Foi uma dor imensa para mim não poder participar da Vigília Pascal naquele ano! A partir daquele dia, decidi mudar de paróquia e comecei a participar das missas na paróquia vizinha, mesmo que tivesse que ir de ônibus!

Em 2019, celebrei meu primeiro Tríduo Pascal na comunidade de Nossa Senhora de Lourdes, em Porto Alegre. Tudo muito lindo, majestoso e solene! Naquele ano, pela primeira vez, eu estava no presbitério, como proclamadora da Palavra. Eu fiz a primeira leitura, do livro do Gênesis. Foi uma experiência muito forte. Deus estava no meio de nós, Deus falava e seu povo escutava. Jamais esquecerei também o momento de sublime beleza quando nosso pároco cantou, solenemente, em tom gregoriano, o Exultet!

Então, em 2020, a pandemia! Quanta dor! A igreja fechada no Tríduo Pascal! Deus, contudo, me concedeu a imensa graça de poder participar do Tríduo Pascal como membro da equipe de liturgia que transmitia pelo facebook da paróquia. Apesar da dor de uma liturgia sem povo presente, todos nós, ali diante do altar, entregamos nossa alma e vivemos plenamente a celebração. Com o coração partido, mas confiantes e firmes na fé! Em 2021, a igreja aberta para poucos fiéis, a celebração ainda parecia incompleta, a alegria era contida.

Este ano, então, finalmente, depois de dois anos de espera, de angústia e de provação, poderemos celebrar com toda a comunidade, com a igreja aberta, com todos os fiéis, a nossa grande e maravilhosa Liturgia Pascal! Pela graça divina, fui novamente, este ano, escalada para proclamar a primeira leitura da Vigília Pascal! Deus é rico em Misericórdia, sua Bondade não tem limites!

Assim, com muita alegria, celebro este ano a minha sétima Semana Santa, agora junto novamente da minha família de Nossa Senhora de Lourdes, agradecendo a Deus sem cessar pelas maravilhas e prodígios que Ele nunca cessa de realizar entre nós! Viva Cristo! Louvado seja Deus!

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